segunda-feira, 4 de junho de 2018

Brasil - Superlotação: falta de saúde

A superlotação é um problema gritante quando se fala no sistema carcerário do Brasil. O Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), produzido pelo Ministério da Justiça, apontou em 2014 que o sistema prisional brasileiro tinha 607.731 presos para uma oferta de vagas de apenas 375.892. Esse número piorou em 2016, onde o numero de detentos aumentou para 726 mil presos, enquanto o numero de vagas não acompanhou a proporção, em que eles ocupam o número de 368 mil vagas, média de dois presos por vaga.

Esse transtorno de superlotação trouxe graves problemas de saúde aos detentos. Existe uma correlação direta entre a quantidade de presos e a qualidade de vida dentro do presídio.

Um caso acorrido no presídio da Papuda, no Distrito Federal, acometeu mais de 2 mil pessoas detidas, em cinco unidades do complexo, de acordo com a Secretaria Pública da capital nacional.

Natália Madureira Ferreira, médica e docente do curso de medicina da Universidade Federal de Uberlândia, explica que a burocracia do sistema prisional é uma das dificuldades para o atendimento médico dos presos: “Quando você tem casos como o que teve na Papuda, por exemplo, de você ter infestações, ou de você ter uma disseminação de uma doença específica, a gente fica muito limitado nas ações, porque tudo depende do que a direção da penitenciária consegue fornecer de serviço, de medicamento, de atendimento”.

Segundo o Ministério da Justiça, 8.605 profissionais de saúde estão cadastrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) no sistema prisional. No entanto, apenas 1.112 são médicos.

A situação dos detentos é muito precária e mal planejada em relação a questão da saúde no lugar. Um ex detento, André Rogério dos Santos, após dois anos que cumpriu sua pena lembra que “há falta de remédio e de atenção com o detento enfermo” dentro do sistema prisional.

O atendimento deficitário no sistema prisional, segundo Natália Madureira Ferreira, “é um contrassenso”. “Teoricamente deveria ser muito mais bem controlado, seria muito mais fácil você controlar a situação de saúde dos presos, do que a população fora dos presídios. Mas na realidade, não é isso que acontece”, diz a médica.

http://justificando.cartacapital.com.br/2017/08/15/superlotacao-dos-presidios-facilita-proliferacao-de-doencas-afirma-medica/

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