Por Camila Bertocco, Jéssica Caovilla, Maria Eduarda, Laura Heloisa e Maria Giovanna Torquato
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| Crédito: Google Images. |
É complicado entender ao certo como funciona o sistema carcecário em Israel, principalmente frente a tantas disputas e guerras políticas. Algumas reportagens ajudam, no entanto, a desvendar tal situação, a exemplo dessa publicada pelo Globo News e desse artigo veiculado pelo Diplomatique: O véu carcerário que aprisiona a Palestina.
Em suma, “esse véu carcerário constitui o dispositivo mais importante de reconhecimento e controle da população ocupada, que, regido pela justiça militar, funciona por meio dos serviços de informação. Esse sistema repousa sobre um regime de provas baseado nos próprios interesses de Israel ou de terceiros. As confissões que os interrogatórios querem obter a qualquer preço justificaram a utilização de pressões físicas e psicológicas intensas similares à tortura – incentivadas pelo relatório Landau de 1987 −2 até que uma decisão da Suprema Corte israelense colocou um limite em 1999.”
“As confissões, contudo, permanecem essenciais na medida em que 95% dos processos não avançam: os casos se ajustam por uma negociação da pena entre advogados e juízes, o que requer primeiramente a confissão do acusado. As autoridades judiciárias militares impulsionam essas negociações para evitar os processos, e aqueles que se recusam a aceitar essas condições são condenados de forma ainda mais pesada após procedimentos intermináveis. ”
“... o Shabas instaurou em suas punições habituais (solitária, isolamento prolongado às vezes de anos, privação de visitas etc.) um sistema de multas (400 shekels, ou R$ 210) por qualquer infração às regras internas da prisão. ”
“As autoridades penitenciárias trataram de agudizar a cisão ocorrida entre o Hamas e o Fatah em 2007. Os prisioneiros foram acomodados em diferentes alas, divididos em afiliados aos partidos religiosos (Hamas e Jihad islâmica) e membros de partidos políticos (Fatah, FPLP, Frente Democrática pela Libertação da Palestina e comunistas). ”
“... o Shabas multiplicou as separações em função de distinções geográficas ou mesmo familiares: os residentes de cidades foram afastados dos residentes de campos e vilarejos; os originários de Ramallah foram distinguidos dos de Nablus, Jenine ou Hebron.”
2015: com sua população total em 8,38 milhões e a capacidade do sistema carcerário de 25.935 em 2014, há em Israel 21.072 presos, sendo 2,7% destes, menores de idade. Para sustentar esse grande número de pessoas no sistema carcerário há, por mês, o investimento financeiro de até 25 milhões de shekels, equivalente a 13 milhões de reais. Além disso, também há o financiamento europeu e internacional dos custos de detenção.
De acordo com a informação do jornal israelense Haaretz, desde 2007 o Sistema carcerário de Israel decidiu dividir os palestinos que fazem parte do grupo Hamas e do Fatah em seus presídios para se distanciar do confronto na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Além disso, é a primeira vez que o Shabas separa os prisioneiros sem conflitos internos.
O temor em Gaza é que os milicianos mais radicais do Hamas comecem a perseguir os militantes e dirigentes do Fatah como forma de vingança pelas detenções de integrantes do movimento islâmico realizadas pelos nacionalistas em 1996.
(Crédito: Google Images. Gaffiti in Solidarity with Palestinian
priosioners, Belfast, Northern Ireland)
“O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, manifestou nesta quarta-feira (24) “grave preocupação” com a greve de fome generalizada promovida pelos prisioneiros palestinos nas prisões israelenses, que entrou no 38º dia sem solução. Segundo o comunicado da ONU, a saúde de centenas de prisioneiros começou a se deteriorar significativamente.”
Em abril de 2017, prisioneiros reclamavam pelo aumento no número e na duração das visitas familiares, fim do isolamento, da prisão administrativa e melhor acesso a serviços de saúde – algo que também chama atenção no Brasil, onde os Direitos Humanos também não são respeitados nas cadeias.
Além disso, Israel viola artigos de acordos e convenções relacionados ao Sistema Carcerário, como a Convenção de Genebra de 1949, o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, e as Regras Mínimas Para o Tratamento de Reclusos (o tratamento dos detidos deve ser coerente com o direito internacional).
ONU pede que Israel respeite Direitos Humanos de prisioneiros.